top of page

Museu Afro Brasil

  • Writer: Silvia Travesso
    Silvia Travesso
  • May 12, 2019
  • 3 min read


Documento:


O Museu Afro Brasil existe desde 2004, a instalação de 11mil metros quadrados está localizada no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega dentro do Parque Ibirapuera, na cidade de São Paulo.

O início do projeto foi a partir do acervo particular de obras que pertencia ao Diretor Curador Emanoel Araújo, que apresentou o projeto à prefeita de São Paulo da época, Martha Suplicy, e iniciaram o projeto de implantação do Museu.

Hoje, conta com mais de seis mil obras e o espaço de onze mil metros quadrados. As peças desdobram-se em pinturas, gravuras, esculturas, fotografias, documentos e peças etnológicas criadas por autores negros brasileiros e estrangeiros, ou sobre a retratação da vida negra, produzidos desde o século XVIII.

Além de temas como as obras que evidenciam o período da escravidão, também existem peças que mostram o trabalho, a religião, a arte, a miscigenação, as influências e as produções de inúmeros artistas ligados às raízes africanas e afro-brasileiras, e mostram importantes momentos da formação da identidade nacional, a partir de uma visão antropológica, sociológica e histórica.

As peças principais são exibidas em exposições de longa duração disponíveis o ano todo com projetos de visitação e são complementadas com conversas, debates, exposições, cursos e rodas de conversa que podem ser feitas no auditório do Museu.

A complementação do conteúdo também é feita na biblioteca especializada, com livros que explicam, documentam e relatam os processos do desenvolvimento da vida negra dentro do país e como origem da vida na Terra.

Além da exposição perene, são feitas exposições com tempo limitado de diversos temas, alguns exemplos são as exposições que recentemente homenagearam as origens negras da Bahia (que estará aberta para visitação de oito de maio a primeiro de setembro de 2019) e a exposição que colocou as obras do mineiro Eustáquio Neves para apreciação do público.

As exposições permanentes possuem temas pertinentes ao conhecimento, aceitação e valorização da arte e da vida negra. Os temas são: África: Diversidade e Permanência, Trabalho e Escravidão, As Religiões Afro-Brasileiras, O Sagrado e o Profano, História e Memória e Artes Plásticas: a Mão Afro Brasileira.

Apesar de ser uma instituição pública, concebida dentro dos projetos da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e administrada pela Associação Museu Afro Brasil - Organização Social de Cultura, o prédio cobra um valor simbólico dos visitantes. A entrada inteira está no valor de R$ 6,00, sendo aplicada a meia entrada aos usuários que possuem o direito garantido por lei, de acordo com o valor vigente em Maio de 2019.


Crítica:

Em um país que, historicamente, apaga os negros de sua formação, existir um Museu Afro Brasil em uma das maiores capitais econômicas é, no mínimo, um ato de resistência. Infelizmente, há especulação do encerramento de suas atividades, evidenciando talvez o pouco caso constantemente demonstrado pela população diante à sua cultura.

Inaugurado em 2004, no Parque Ibirapuera, o Museu conta com mais de seis mil obras em exposição permanente, possui três pavimentos com mais de onze mil metros quadrados, engloba uma biblioteca especializada e um auditório onde são promovidos eventos que abordam temas acerca do histórico negro e da formação nacional a partir da ótica que difere dos colonizadores.

A problemática inicial do projeto é a massiva falta de interesse por museus no geral, que encontramos na população brasileira. Um dos pontos para o sucesso do Museu Afro Brasil até então foi despertar na sociedade a necessidade de entender a origem de sua história. E, sendo o Brasil um país onde mais da metade da população declara-se parda ou negra (de acordo com pesquisas feitas pelo IBGE), e a miscigenação de diversas etnias é a base cultural, o conhecimento da arte, história e influências negras é primordial para o desenvolvimento da identidade do brasileiro fora da visão eurocêntrica.

O museu, de maneira ampla, tem a função de registrar a história, apresenta-la a população e servir de objeto de estudo para o desenvolvimento humano. Como vivemos sob o paradigma de uma visão europeia no ensino, nas escolas é mostrado muito do desenvolvimento grego e romano, e o surgimento das sociedades africanas é negligenciado.

Existir um museu que apresente obras de pessoas negras, com raízes africanas e como isso influencia a vida social do nosso país é uma forma de explicitar o outro lado da sociedade. Um lado mais presente no cotidiano dos brasileiros e que precisa ser mostrado com riqueza de detalhes.

As obras traduzem a diversidade, a amplitude e a necessidade de evidenciar a vida negra dentro do estudo e da compreensão social. Assuntos que vão desde a religião, trabalho, permanência, influência e desenvolvimento são retratados por artistas negros nacionais ou estrangeiros, e proporcionam a reflexão do visitante quanto à tratativa que o estudo histórico oferece hoje às vidas negras, e como isso é capaz de impactar a nossa sociedade repleta de racismo, desigualdades sociais e estereótipos negativos para o indivíduo negro.

 
 
 

Recent Posts

See All

Comments


bottom of page