Bloco Ilú Oba de Min
- Silvia Travesso

- May 12, 2019
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Documento:
Instituição Cultural sem fins lucrativos fundada em novembro de 2004 por Beth Beli, Adriana Aragão, Girlei Miranda. Se considera "uma intervenção cultural baseada na preservação de patrimônio imaterial, trazendo para a região urbana antigas tradições."
Crítica:
Com o objetivo de aumentar a participação feminina no toque de tambor, o Bloco Afro Ilú Oba de Min foi fundado em 2004 e composto apenas por mulheres, tendo como madrinha a cantora Leci Brandão. Além do enaltecido candomblé, o bloco toca outros ritmos dançantes como afoxé, jongo, maracatu e ciranda. As percussionistas tem a companhia de cantoras, dançarinas e pernaltas que representam os Orixás africanos.
No meio cultural paulistano, as mãos femininas que fazem barulho têm o objetivo de desenvolver atividades de empoderamento feminino através da arte. Enfrentando o racismo, sexismo, discriminação, preconceito e homofobia, além também de conservar e divulgar a cultura negra no Brasil. As mulheres do Ilú Oba de Min são responsáveis por organizar, tocar e dançar.
Mas por que só mulheres? Certamente para dizer que elas são capazes e possuem vozes que ninguém poderá tirar. São pessoas que lutam contra o genocídio do negro e escancaram suas opiniões em músicas, mostrando sua posição política de empoderamento da mulher negra cantando aos quatro ventos para que acabem com a desigualdade e opressões. Até porque, desde sua colonização ,os negros sofrem com a cultura do racismo que nunca foi desatrelado do pensamento dos cidadãos brasileiros.
Quando o bloco passa, a comoção engole as ruas e não deixa ninguém parado. São rainhas e reis que desfilam sobre pernas de pau ou arrastam seus pés no asfalto, levando a multidão para um encontro entre a cultura africana e afro-brasileira.
Em 2017, o Bloco saiu para as ruas no carnaval compondo 354 integrantes, desses, 300 eram percussionistas, 32 bailarinas e bailarinos, 10 cantoras e 12 pernaltas. Dessa forma, o Bloco Ilú Obá de Min trouxe para o carnaval de São Paulo sua Ópera de Rua, esbanjando resistência, força e representatividade feminina. Além do ritmo contagiante, o que atrai o público ao Ilú é a apresentação artística de dezenas de profissionais que, no chão da rua com seus pandeiros e vozes, encarnam os orixás das religiões afro-brasileiras em fantasias elaboradas e acrobacias minuciosas.
A grande importância de existir um bloco como esse, é contar histórias que foram silenciadas e nem ensinadas em livros didáticos, é mostrar para a população brasileira – majoritariamente negra – que ela possui voz e direito. Viabilizar esse movimento nas ruas da capital paulistana é um grande ato político, que se levado como exemplo, fortaleceria ainda mais o respeito pela cultura africana, afro-brasileira e principalmente, pelas mulheres.

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