Geledés - portal de notícias online
- Silvia Travesso

- May 12, 2019
- 4 min read
Documento:
Fundado em 30 de abril de 1988, o Geledés Instituto da Mulher Negra é uma organização que se posiciona contra todas as formas de discriminação que agridem qualquer ser humano, como o preconceito racional, homofobia, opinião de classe social e questões de gênero. Em todos esses assuntos, o Geledés desenvolve projetos sociais próprios e/ou em parceria com outras organizações que defendem os direitos de cidadania e políticas públicas, além também de possuir um portal online com notícias sobre o tema que o instituto apoia: direitos humanos.
Abaixo segue lista com oito matérias selecionadas e uma breve descrição sobre elas:
1 – Necropolítica e produção de mortes no Brasil
No decreto assinado e publicado em 08/05, o governo central amplia o porte de armas para determinadas profissões. Dentre elas, os servidores inativos também possuem a mesma autorização que os servidores ativos, como por exemplo: políticos eleitos, oficiais da justiça, agentes de trânsito e profissionais de imprensa que atuam em coberturas policiais, entre outras categorias.
2 – Olhos que Condenam, nova série da Netflix que relata o caso da prisão de 5 negros
Olhos que Condenam conta os casos judiciários mais polêmicos da história do EUA. A produção relata as histórias de cinco adolescentes negros que foram injustamente acusados de um estupro que ocorreu na cidade de Nova York, em abril de 1989.
3 – Google abre seu primeiro laboratório de inteligência artificial na África
O objetivo desse projeto será de responder aos problemas socioeconômicos, políticos e ambientais do continente. Assim como utilizar a inteligência artificial para ajudar na saúde humana.
4 – As Cores da Serpente, um documentário muito além do grafite
Filmado em 2015, a obra teve a participação de 27 artistas angolanos que pintaram 6.000m² de muro na Serra da Leba, em Angola.
5 – Negros e negras estão mais próximos do feminismo no Brasil
De acordo com pesquisa Datafolha, as mulheres que se autodeclararam feministas representam 47% das pretas, 37% das pardas e 36% das brancas.
6 – Congresso espanhol será o maior em número de mulheres na Europa
A Casa terá 166 deputadas e 184 deputados, o que representa um aumento de oito pontos percentuais na compactação com a legislatura anterior, iniciada em 2016 com representatividade feminina de 39,4%.
7 – O racismo e o sofrimento psíquico
O Banzo é o sofrimento psíquico dos desprovidos de voz, não por não possuírem, mas por não permitirem ter.
8 – Como a internet está matando a democracia
O pesquisador e autor inglês Jamie Barlett em entrevista à Pública, disse que hoje em dia cuidar do comportamento online é mais importante do que votar.
Crítica:
O Portal Geledés é um veículo de comunicação extremamente focado em matérias sobre questões raciais, gênero, discriminação e preconceito. Um espaço de opinião pública das ações realizadas por organizações atuais e seus compromissos políticos.
No portal, expressa-se o orgulho das lutas enfrentadas por homens e mulheres africanas pela realização de seus sonhos e liberdade de igualdade.
Ao analisar as matérias, é possível identificar que o Brasil ainda não está estruturado para receber as mudanças que vem acontecendo, uma delas, é o decreto assinado que amplia o porte de armas para alguns profissionais. De acordo com o Geledés, pesquisas recentes mostram que 64% dos entrevistados não são flexíveis à posse de armas, ou seja, a maioria. Os negros são vítimas diárias dos homicídios que ocorrem no Brasil, em que a cada 23 minutos um jovem negro morre no país.
Também é fácil perceber uma falha em sistemas prisionais dos EUA quando o assunto é acusar o negro em um crime, assim como será retratado na nova série do Netflix, Olhos que Condenam, um caso real de grandes falhas da polícia, promotoria e da imprensa em que os protagonistas foram injustamente acusados de estupro brutal apenas pela cor de sua pele. Mas também é importante evidenciar que os negros e negras estão mais próximos do feminismo no Brasil, segundo pesquisa Datafolha.
Isso se deve às ações que contribuíram para que as mulheres tivessem mais acesso às informações e se agrupassem em coletivos de mobilização. A visibilidade delas também chegou na política, e hoje o Congresso Espanhol é ocupado por 47,4% por mulheres, uma notícia que aquece o coração de quem luta e defende a igualdade de gênero.
Em suma, a internet tem um papel fundamental para expor ideias, organizar movimentos e acesso à troca de informações, mas por outro lado é necessário tomar cuidado com o que é publicado.
Em uma matéria do Geledés, o pesquisador e jornalista inglês Jamie Barlett, tem a opinião de que “havia uma ampla visão de que o simples fato de tornar a informação mais disponível e permitir que todos pudessem criar e compartilha-la transformaria o nosso ambiente em mais informado, politizado e racional.” O que de fato pode acontecer. Mas além de constatar os problemas, o pesquisador propôs soluções para nos desenvolvermos junto com a tecnologia. Entre elas, um departamento governamental totalmente dedicado a fazer uma auditoria de algoritmos e uma base de dados públicas, com registros instantâneos de todas as propagandas eleitorais publicadas nas redes. E assim, diminuiria drasticamente o número de Fakes News que usuários recebem diariamente sobre diversos assuntos.

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